sábado

Salva(Dor)



Voa no céu da cidade
A liberdade.
E mesmo ela, que não me visitara mais,
Saiu dos braços do poeta Alves
E veio me ver voando...

Pousou serena,
Pássaro Condor,
Matando as dores do mundo,
Livrando-me das correntes,
Resquícios de escravidão.

Lembrou-me Palmares e haussás,
Quilombos e resistências,
Malês e Orixás.

Então eu,
Que sequer conheço-o bem,
Enegreci, tornei-me pleno de alegria,
Não mais escrevo o rancor,
Nem mesmo frases vazias...
Sou negro com alforria.

Oh poeta,
Bravo guerreiro dos tempos.
Buscar-te em meus versos: a minha meta
Vivê-lo em meu tempo, a solução!

Por isso canto a liberdade
De quem não se pode prender.
Levo aos homens cativos,
Ativos na guerra, passivos no amor,
O livre canto da paz.

E muito, muito mais que a Lei áurea não deu,
Nem as cotas, ou as leis, mudaram.
Levo a igualdade,
Para um povo esquecido, enganado.

Nesta cidade em que estou,
Canta a minha alma outrora cativa,
Peço ao Condor a memória viva
De uma cidade esquecida na dor.

Como és negra Salvador!

Tácio Argolo

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